Porque não consigo ser feliz? Porque não dou certo no amor? Porque não tenho amigos de verdade? Porque a vida é tão injusta? Porque, porque? Eram tantas perguntas que me deixaram tonto, eu não sabia como respondê-las, como agir diante dela. Mas tinha algo na vida, um prazer em ajudar alguém, em construir sorrisos em olhares tristes, em buscar o que há de melhor em cada ser. Algo que me impulsionava a desvendar o ser humano como um todo. Muitas vezes perdido entre meu intelecto e as coisas da fé, aquelas que não se explicam, eu pintava o quadro da esperança, pois, entendia e acreditava do fundo do meu coração que todo ser humano precisa e muito do seu quinhão de esperança.
É incrível e inacreditável a cegueira humana, a especialidade em não se prestar atenção nas coisas maravilhosas que a vida nos presenteia, os detalhes ocultos que nos são revelados a todo tempo. Creio sinceramente que o desenvolvimento da percepção é justamente onde consiste a evolução emocional. A percepção da vida como um todo, a percepção das pessoas que nos cercam, dos detalhes, do ambiente, da atmosfera, do inconsciente, do subjetivo. Ainda que possamos conversar durante horas com alguém, é justamente no que não foi dito que está o que realmente importa.
Após o silêncio ensurdecedor dos segundos que passaram após todas aquelas perguntas, compreendi que não era uma resposta que eu deveria lhe dar, resposta que eu não tinha, mas que de alguma forma, devido a está incansável busca da compreensão emocional do ser humano, talvez eu estivesse mais perto de achá-las. Era o silêncio que ela precisa, e o abraço de verdade, era ouvi-la de verdade, senti-la de verdade. Pois sua necessidade básica era compreensão e segurança.
Em seus olhos havia uma força inacreditável, mas porque ela não a via? Como ela não sentia o grande poder que tinha? Que linguagem seus olhos falavam e que linguagem ela compreendia? Essa foi a questão que levantei a naquele dia e que levei muito tempo para responder.
O tempo cura ou aumenta a dor? Não podemos fugir da vida, não podemos nos esconder da dor, logo não há motivo para adiar a cura, ou, inevitavelmente a dor aumentará. Minha avó costumava dizer que: “o que arde cura, o que aperta segura”, ensinamentos simples, mas valorosos, não adie o enfrentamento da dor, não enfrente-a sozinho, você precisa e deve do apoio de um verdadeiro amigo. Daquele que mesmo que não entenda a dor, segure junto com você o peso.